Sarajevo massacre remembered
É o título de um artigo a flutuar a meia página na BBC online, que me chamou a atenção, porque ando a ler compulsivamente Berlin, the Downfall, depois de me ter embrenhado com Stalingrad, o antecessor, no âmago mais sanguinário da história da Segunda Guerra Mundial. Queria, tão superficialmente quanto um artigo de circunstância permite, vislumbrar algum paralelo entre essa realidade já velha de 60 anos e as atrocidades mais recentes, partindo da impressão, carregada pela imagem fresca das monstruosidades nazis e soviéticas, que estas eram inimitáveis. Mas afinal Himmler e Beria tiveram dignos sucessores nos elementos do governo Bósnio, ao qual as próprias Nações Unidas, embora em segredo, imputaram o disparo do famigerado morteiro que atingiu o mercado de Sarajevo, matando 68 pessoas e fornecendo à Nato e às consciências ocidentais o estímulo moral para demonizar e castigar os sérvios. E não, não foi um acidente que o oportunismo ou sequer a vergonha impediram de denunciar - foi uma auto-mutilação premeditada para que a comunidade internacional contemplasse a maldade eslava e a inocência, no caso, muçulmana. Para não malbaratar o efeito mediático, operadores de câmara tinham sido mesmo expedidos com antecedência para filmar os cadáveres esquartejados e registar os uivos de dor que amaldiçoavam os bósnios-sérvios. Diga-se que a fórmula foi muito provavelmente repetida anos mais tarde ali perto, no Kosovo.
Ralo

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