T-Zero

Ressurreição

terça-feira, janeiro 27, 2004

Oh Canada

No dia em que morreu um soldado canadiano no Afeganistão, meses depois dos norte-americanos - por cuja segurança nacional ele combatia - terem concedido ao país vizinho o favor de lhes inaugurar a conta de baixas militares, apetece-me lembrar o papel desta pacífica nação na Segunda Guerra Mundial, esse manancial de justificação moral para os desvarios bélicos dos Estados Unidos. Apenas para recordar que, proporcionalmente às respectivas populações, tombaram mais canadianos do que americanos; que aqueles entraram na guerra logo em 1939, apesar de a isso já não os obrigar a formalidade da Commonwealth; que se sujeitaram ao comando britânico e norte-americano, sacrificando-se tantas vezes na vanguarda, de Dieppe a Hochwald; e que, sobretudo, o Canadá não passa a vida a cobrar a famigerada dívida de sangue à Europa, até porque não precisa, já que, como a maioria dos países que participaram no conflito, saiu dele com a lição de que as guerras se evitam e não se fomentam.
Ralo