T-Zero

Ressurreição

sábado, janeiro 31, 2004

Levanta-te e chora

Não bastava a própria governação, agora o PSD, em campanha acelerada para a sua não reeleição, acrescenta aos argumentos para votar alhures a ideia de oferecer, à maneira de relógio de ouro, a presidência da Assembleia da República a Alberto João Jardim. Antecipo desde já um momento futuro ao trabalho criativo dos sátiros e/ou ao que se iria observar:

Cabendo, regimentalmente, a palavra a um deputado do PC, ouve-se aquela voz de quem tem um arroto preso no esófago estardalhaçar: - Você não fala, seu cubano!

Não seria, por si só, a apregoada IV República; aliás, seria a I Assembleia da República entusiasmante. Mas juntem-lhe Santana Lopes na presidência e Paulo Portas, por nomeação combinada daquele, primeiro-ministro, e digam lá se não é preferível ser branco no Zimbabwe ou árabe nos Estados Unidos.
Ralo

quarta-feira, janeiro 28, 2004

In memoriam

Hoje que a verdade está nua, de pernas abertas, espojada no meio da praça a gemer "Olhem para mim!", ficamos a saber que meio-mundo é homossexual, a começar por um lord inglês, que concluiu, com aquela solenidade enfatuada e caricatural, pela absoluta inocência do governo de Tony Blair na face da acusação de que apimentou os relatórios dos serviços secretos sobre a capacidade de destruição massiva do arsenal iraquiano. Ao mesmo tempo, um oceano ao lado, o insuspeitíssimo David Kay depunha perante a comissão dos assuntos militares do senado, infecta de republicanos tenebrosos, dilacerado entre a adesão inabalável ao partido da guerra e a asserção honesta e científica de que NÃO HÁ ARMAS DE DESTRUIÇÃO MASSIVA NO IRAQUE, mas consolado pela conclusão própria de que a culpa foi dos mesmos serviços secretos, que terão abusado do presidente (sic). E é enfim este - percebe-se agora - o último refúgio destes indisfarçáveis cobardes, presidente, primeiro-ministro e imitadores, que epigrafaram a sua opção militar com o pretexto viril de que estavam a defender as respectivas seguranças nacionais, perseguindo um tirano moribundo, sitiado, vigiado, inspeccionado e desarmado, e agora deixam que outros expiem o seu palão, a sua fraude sangrenta naqueles a quem exigiram, sob pressão e manipulação, os argumentos para a guerra.

Não me ocorre nada assim na história recente, uma transferência tão descarada de responsabilidades políticas para órgãos intermédios da administração, pelo menos sendo a matéria tão grave, e menos ainda tratando-se de serviços secretos ou de informações. Por isso não faço ideia do que acontecerá. Mas a própria natureza destes serviços, o apego ao silêncio, o peso institucional e operacional da lealdade e, enfim, o recurso banal e já utilizado nos últimos meses a mais pressões, ameaças, exoneraçãos, assassinatos de carácter, etc, fazem antever um funeral definitivo da verdade infinitamente mais discreto do que o do pobre Feher.

Ralo

terça-feira, janeiro 27, 2004

Oh Canada

No dia em que morreu um soldado canadiano no Afeganistão, meses depois dos norte-americanos - por cuja segurança nacional ele combatia - terem concedido ao país vizinho o favor de lhes inaugurar a conta de baixas militares, apetece-me lembrar o papel desta pacífica nação na Segunda Guerra Mundial, esse manancial de justificação moral para os desvarios bélicos dos Estados Unidos. Apenas para recordar que, proporcionalmente às respectivas populações, tombaram mais canadianos do que americanos; que aqueles entraram na guerra logo em 1939, apesar de a isso já não os obrigar a formalidade da Commonwealth; que se sujeitaram ao comando britânico e norte-americano, sacrificando-se tantas vezes na vanguarda, de Dieppe a Hochwald; e que, sobretudo, o Canadá não passa a vida a cobrar a famigerada dívida de sangue à Europa, até porque não precisa, já que, como a maioria dos países que participaram no conflito, saiu dele com a lição de que as guerras se evitam e não se fomentam.
Ralo

sábado, janeiro 24, 2004

Melhor que uma piada porca só o descaramento puro para ressuscitar um blogue

US urges support for democracy

De acordo! Vamos lá descartar as eleições directas, essa birra jacobina, por onde ainda persistem, nomeadamente nesta Europa refractária, e trocá-las pelos conselhos regionais de homens-bons e pelas nomeações. E nem há aqui sombra de incoerência - este não é apenas o modelo de exportação da mais velha democracia do mundo; é mais ou menos o mesmo que lhe permitiu vencer o populismo e evitar que o candidato mais votado fosse o seu presidente.
Ralo

terça-feira, janeiro 20, 2004

Mau gosto de fim de blogue

Violando não o segredo de justiça, mas o mais elementar decoro, chegou-me às mãos a seguinte informação:

O que é que o Bibi chama a uma cambada de miúdos aos gritos, com balões, palhaços e um bolo com velas pelo meio? Uma festa de ânus.
Ralo

segunda-feira, janeiro 12, 2004

O guerreiro

Já quase não se fazem homens assim. E ainda bem.
Ralo

quarta-feira, janeiro 07, 2004

Epítome

10 000 inocentes mortos, milhares de baixas da coligação, um país destruído, ocupado, saqueado, oprimido, tudo por causa disto. Mas o pior mesmo é a falência de uma democracia que se permite conferir poder a uma população suficientemente estúpida para acreditar que Saddam Hussein teve alguma coisa a ver com o 11 de Setembro.
Ralo

quinta-feira, janeiro 01, 2004

Toma lá, tradição

Ora adivinhem onde passei eu de ano.
Ralo