Não resistiu
O Pacheco Pereira vomitou uma profusão de posts quando sentiu o cheiro de uma vitória do PS. Mas eu sei que ele compreende - no âmago da sua inteligência, onde a bílis não penetra - o que subjaz à euforia socialista. Fora do contexto, essa euforia, sobretudo manifestada na Assembleia da República, seria criticável. Mas neste caso tinha a justificá-la um elemento simbólico - a resposta, passados quatro meses e meio, ao drama levado à cena pelo juiz Rui Texeira quando foi, secundado pela SIC, no mesmo palco, apontar o dedo e gritar "pedófilo!" ao poderoso Paulo Pedroso, enquanto o próprio se ia desfazendo em instâncias para ser ouvido, julgado, humilhado e despojado de todas as mordomias parlamentares.
Não é da inocência ou culpabilidade de Pedroso que se trata, embora seja a convicção da primeira que concita o PS. Sobre ele continua a impender uma suspeita, que facilmente se transforma em culpa nas mentes mais predispostas ou se dissipa nas mais simpatizantes. O raciocínio jurídico - e muito bem - inverte essa lógica, postula a presunção de inocência e faz recair o ónus da prova sobre a acusação. Porque não bastam pressentimentos, não bastam rumores, não pode bastar o testemunho "frágil, irrelevante e inverosímil" de meia-dúzia de adolescentes cuja credibilidade se equilibra tão precariamente entre os juramentos de que "os meninos não mentem" e a notícia de relatórios que falam de toxicodependência, prostituição e tendência para a mentira e fabulação. A justiça - a PJ, o Ministério Público, os juízes de instrução devem ser estritamente obrigados a apurar mais, a certificar os testemunhos, a agir cientificamente e lealmente, sem preconceito, sem, em momento algum, se imbuirem de uma presunção de culpa, que os conduz facilmente ao excesso de zelo e ao atropelamento dos direitos dos arguidos. Aqui trata-se de abominar a forma como foi intimidado, coagido e moralmente brutalizado um político ao qual não é possível neste momento "imputar a prática concreta de crimes". Porque, pelos vistos, como sugeriu involuntariamente o Procurador Geral da República, neste Estado de Direito frustrado, aos cidadãos comuns acontece ainda pior.
Ralo

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