Longo
"Miguel Portas, no Diário de Notícias de 20 de Março de 2003
"...o primeiro acto do ocupante será plantar no terreno todas as provas que os inspectores não encontraram. Preparem-se para o festival da grande intoxicação sobre as valas de cadáveres."
Há sempre quem tente adivinhar o comportamento dos outros com base nas atitudes que seriam as suas em idêntica situação."
Aqui está a primeira baforada de fumo para cima do relatório da CIA que aí vem. Nestes tempos regressados de hegemonia portista, é mais o que nos aproxima, apesar de tudo, do que o que nos separa. Mas esta não não pode passar. Não se trata de defender a honra do Miguel Portas (inelutavelmente manchada por afinidade), mas de chamar a atenção para o que já é uma evidência, bem maior, como se vê, do que as armas de destruição massiva antes da guerra:
Sabe por que há tantas mulheres em Portugal a ser violadas? Porque não colabaram. Ora a CIA também se cansou de colaborar, depois de ter sido violada, ou alienada, se preferir a versão não metafórica. Se bem me lembro, Rumsfeld e a sua pandilha ainda berraram e estrebucharam porque queriam os seus soldadinhos a fazer o trabalho de inspecção em exclusividade. Se tivesse sido este o caso, também não tenho dúvidas que, por esta altura, os Estados Unidos estavam a anunciar que o Iraque possuía milhões de litros disto e daquilo, comicamente made in California. Felizmente, o insucesso do pós-guerra provocou em Bush um pequeno ataque de bom senso e levou-o a transferir algum poder do Pentágono para o Departamento de Estado e para a CIA. O resultado foi o um governador (!) vagamente moderado, que - vá lá - não esconde uma constrição genuína quando as coisas correm mal (i.e. todos os dias), e uma investigação ao busílis da guerra nas mãos da secreta. Não tivessem expiado as petas originais no respectivo director, não os tivessem pressionado para torcer as conclusões, não tivessem criado um gabinete de "informação" paralelo numa salinha aconchegada do Pentágono, não tivessem, finalmente, revelado a identidadade de uma das suas agentes por mero despeito e talvez, quem sabe, a CIA tivesse alinhado no grande plano. Assim, com imaginável gozo, limita-se a ser sincera. Ou seja, NÃO HÁ NEM HAVIA ARMAS DE DESTRUIÇÃO MASSIVA NO IRAQUE. Invocar agora previsões falhadas (felizmente) de quem sempre previu isto mesmo é tentar disfarçar uma trovoada com um arroto.
Ralo

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