Figo e o Porto
Já se sabia que o Porto (o clube de futebol) era uma espécie de versão portuguesa e provinciana do Barcelona, na sua raiva doentia à capital. A semelhança foi reforçada esta noite com o lamentável tratamento dispensado a Figo, assobiado com ódio pela turba das Antas. Ver o único jogador português de classe e renome mundiais tratado daquela maneira em Portugal diz muito do fanatismo daquela gente. Torna também justíssima a humilhação que lhes foi infligida pelo Real, sobretudo pelo belo jogo do próprio Figo. É verdade que este já não é o que era. Nunca mais foi o mesmo desde que um tal Deco o lesionou há ano e meio nas Antas (quem o assobiou hoje de certeza que vê esse episódio como um dos momentos de glória do FCP). Mas continua a ser um exemplo de excelência que faz dele uma anomalia no futebol nacional, que claramente não o merece. É um grande jogador que se enganou no país onde nasceu, como Ronaldo e Zidane não se enganaram. É o melhor jogador português, mas parece tudo menos português. O Porto, pelo contrário, é o melhor clube português, mas, na inultrapassável mesquinhez da sua mentalidade, é português até aos ossos, um típico produto da mesquinhez nacional dominante. Figo sózinho vale mais do que aquele clube inteiro e isso, felizmente, ficou provado esta noite.
A.

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