T-Zero

Ressurreição

sexta-feira, outubro 03, 2003

Abaixo de cão

Enquanto por esse edénico lá fora os animais conquistam direitos e personalidade jurídica, em Portugal o que progride é a sua coisificação, o que vinga é o antropocentrismo marialva. Agora vem o governo decretar que os cães e gatos sejam identificados electronicamente. Óptimo, pensar-se-ia. Acabam-se os abandonos ou, pelo menos, punem-se quem os perpetra. Mentira! Vai acontecer exactamente o contrário. A maioria dos donos, para não se maçarem com a burocracia nem incorrerem na multa, vão escorraçar os animais nas vésperas da entrada em vigor do decreto-lei. E depois é ver as diligentes câmaras municipais, a começar pela Lisboa de Santana Lopes, que já leva litros de sangue canino e felino nas mãos, a despachá-los higienicamente, para inglês não ver. E o raio da lei nem sequer comete a justiça elementar, ao tratar de cães perigosos, de criminalizar a merda das lutas.

Enfim. De uma maioria e de um governo obrigados a gostar exclusivamente de homens brancos, dolicocéfalos e liberais por ditame ideológico de um dos partidos que os compõem tudo se espera. A quem realmente é de assacar a falta de legislação portuguesa que proteja os animais e o ambiente é ao PS. Durante seis anos foram a esquerda no poder e nada fizeram. Aliás, fizeram pior que nada. O governo sancionou a desobediência da GNR de Moura, o parlamento descriminalizou os touros de morte e o presidente da república deu a estocada final, apelando à excepção de Barrancos. Quando o Daniel Oliveira mudar de partido, já sei em quem votar.
Ralo