T-Zero

Ressurreição

sexta-feira, outubro 31, 2003

O processo

Consta que o dr. João Guerra, tendo ouvido (ditado servilmente pelas procuradoras adjuntas) o último post do ZDQ, resolveu solicitar ao dr. Rui Teixeira a prisão preventiva (à falta da castração química como medida de coacção) deste prócere do Gato Fedorento, com o argumento de que a negação tão sôfrega de qualquer responsabilidade no escândalo da Casa Pia indiciava claramente uma implicação no maior grau possível. Terá mesmo rematado o requerimento exclamando: "Ora se isto não é um pedófilo, o que será?!".
Ralo

Utopia

Para acudir ao desgraçado secretário geral do PS e abusando do truísmo de que as sondagens valem o que valem, cá vai uma consulta concorrente à da Marktest, que coloca o PSD à beira da maioria absoluta e os portugueses num estado de masoquismo colectivo:

Se as eleições legislativas fossem hoje, em quem votaria?

PPD/PSD: 0
PS: 0
CDS/PP: 0
PCP/Verdes: 0
BE: 0
N.S./N.R.: 1

Realizada entre as 13:54 e as 13:55 do dia 31 de Outubro de 2003, num universo de um eleitor. Margem de erro: 0%.

Análise política: o resultado, um empate absoluto, levará à instabilidade total, criando as condições ideais para uma invasão espanhola, resistida ao ponto exacto de ser criada consensualmente uma nação ibérica. Passado um ano, José Mourinho é despedido humilhantemente por apenas ter conseguido uma vitória, contra o Barcelona.
Ralo

quarta-feira, outubro 29, 2003

Governos

Que horror. Sonhei que voltávamos ao guterrismo e ao tempo da "mentira oficial" e da "falta de rigor". Ainda bem que a realidade é outra, totamente diferente. Meu deus, já viram o que seria se o défice, por exemplo, continuasse na mesma?
Ralo

terça-feira, outubro 28, 2003

Coisas que causam mau ambiente

Bem me parecia, considerando o governo, que o título de "pior ministro" era panegírico.
Ralo

Desbrevar

Depois do exílio de mestrando terminal, o regresso definitivo ao blogue, do qual só restam ruínas poeirentas frequentadas por meia-dúzia de românticos e outros tanto toxicodependentes (ou seja, realistas). Enquanto por cá andarem, escreverei, mas já não sob instância das pageviews. O bloguista mais bem sucedido já provou que isto, no máximo, só leva a uns minutos pouco interessantes de televisão, por isso não merece que se force o estro e, ainda menos, a militância que alguns lhe devotam. Para além do mais, é cansativo tentar discursar do meio da multidão. Há uma maneira fácil de adquirir a fama que me levasse ao palanque, mas acho que as crianças da Casa Pia já foram suficientemente abusadas.
Ralo

Coincidências

Uns marcam golos como outros os sofrem. E vai perdendo sentido a redução de clubes no campeonato português - querem jogar ainda menos jogos até ficar encontrado o campeão?
Ralo

segunda-feira, outubro 27, 2003

Estultocracia

Reacção de Bush aos atentados de hoje: "They hate freedom. They love terror".

É o pretexo para revelar o resultado de uma profunda e arrojada investigação jornalística que conduzi nos meandros do poder judicial norte-americano, abusando dos contactos que o Mário Crespo me cedeu quando me fiz passar por repórter d'O Neo Conservador, um suposto novo semanário português com direcção de José Manuel Fernandes e Luís Delgado e redacção partilhada com o Expresso. Cá vai a parangona: Supremo Tribunal não se limitou a rejeitar a recontagem na Florida. Também outorgou direito voto às crianças e aos deficientes mentais antes das eleições.

Ralo

sexta-feira, outubro 24, 2003

Breve XVI

Hoje consegui passar mais tempo no trânsito do que o Santana Lopes no gabinete da Câmara. Ora se isto não é obra, não sei o que é.
Ralo

terça-feira, outubro 21, 2003

Breve XIV(?)

Parece que o Carlos Cruz é acusado de andar metido com miúdos de 13 anos. Ao menos não é supersticioso.
Ralo

sábado, outubro 18, 2003

Escuta telefónica

- Ferro, pá... Que é isto, pá?!
- O que foi...?
- Então vocês quiseram apenas impedir que o Teixeira fosse buscar o Pedroso ao Parlamento ou queriam que ele nem fosse indiciado?!
- Ó pá... vai ler o comunicado...
- O comunicado não diz nada, pá... parece um amuo... pelos vistos desta vez não estavas a ver um filme.
- Ó pá... tou-me cagando para ti... nem sequer és meu camarada.
- Desculpa lá mas é que aquilo [as escutas] cheira a obstrução à justiça.
- E depois? O Guerra não me processou.
- E o Portas também não foi constituído arguido, mas ainda assim exigiram que se esclarecesse.
- Porra...
- Pois é... agora ou tu e o António provam que não tentaram impedir que o Pedroso fosse indiciado ou é justo que vos queiram ver fora da direcção do PS.
- Mas há uma cabala, pá!
- Então provem-na também de uma vez por todas ou então calem-se. E já agora vê lá se te deixas de amiguismos e metes na cabeça que se fosses primeiro-ministro não te podias comportar assim.
Ralo (em estrita economia de esforço)

terça-feira, outubro 14, 2003

Breve XIV

Já todos sabem que a Time elege Bragança como a nova capital europeia da prostituição. Depois da crise da puericultura na Madeira e no Restelo, não podíamos desejar maior incentivo ao turismo.
Ralo

Breve XIII

Cientistas americanos concluiram que a cannabis pode causar infertilidade nos homens. Por mim, há muito que o seu consumo devia ter sido legalizado; não era preciso apontarem mais um benefício.
Ralo

domingo, outubro 12, 2003

Toma lá, não chores

Dar frangos, no caso do guarda-redes albanês, foi um acto de caridade. É que, a avaliar pelo que correm, há jogadores portugueses que parecem mal alimentados.
Ralo

sexta-feira, outubro 10, 2003

Hum...

O Terras do Nunca, que me ignora apesar de eu o ter aqui ao lado e de o ler todos os dias, aproxima-se de mim ou eu dele na percepção do caso Casa Pia. Num ponto, porém, ele vai mais longe, quando fala em conspiração. A essa tese, caro jmf, eu aplico e sugiro-lhe que aplique também a filosofia de José Mourinho - não digo, mas penso.
Ralo

Não resistiu

O Pacheco Pereira vomitou uma profusão de posts quando sentiu o cheiro de uma vitória do PS. Mas eu sei que ele compreende - no âmago da sua inteligência, onde a bílis não penetra - o que subjaz à euforia socialista. Fora do contexto, essa euforia, sobretudo manifestada na Assembleia da República, seria criticável. Mas neste caso tinha a justificá-la um elemento simbólico - a resposta, passados quatro meses e meio, ao drama levado à cena pelo juiz Rui Texeira quando foi, secundado pela SIC, no mesmo palco, apontar o dedo e gritar "pedófilo!" ao poderoso Paulo Pedroso, enquanto o próprio se ia desfazendo em instâncias para ser ouvido, julgado, humilhado e despojado de todas as mordomias parlamentares.

Não é da inocência ou culpabilidade de Pedroso que se trata, embora seja a convicção da primeira que concita o PS. Sobre ele continua a impender uma suspeita, que facilmente se transforma em culpa nas mentes mais predispostas ou se dissipa nas mais simpatizantes. O raciocínio jurídico - e muito bem - inverte essa lógica, postula a presunção de inocência e faz recair o ónus da prova sobre a acusação. Porque não bastam pressentimentos, não bastam rumores, não pode bastar o testemunho "frágil, irrelevante e inverosímil" de meia-dúzia de adolescentes cuja credibilidade se equilibra tão precariamente entre os juramentos de que "os meninos não mentem" e a notícia de relatórios que falam de toxicodependência, prostituição e tendência para a mentira e fabulação. A justiça - a PJ, o Ministério Público, os juízes de instrução devem ser estritamente obrigados a apurar mais, a certificar os testemunhos, a agir cientificamente e lealmente, sem preconceito, sem, em momento algum, se imbuirem de uma presunção de culpa, que os conduz facilmente ao excesso de zelo e ao atropelamento dos direitos dos arguidos. Aqui trata-se de abominar a forma como foi intimidado, coagido e moralmente brutalizado um político ao qual não é possível neste momento "imputar a prática concreta de crimes". Porque, pelos vistos, como sugeriu involuntariamente o Procurador Geral da República, neste Estado de Direito frustrado, aos cidadãos comuns acontece ainda pior.
Ralo

Sentido de Estado

Durão Barroso manifesta-se contra a "politização da justiça". Fica assim esclarecido o sentido do voto de protesto do PSD e PP a propósito do caso FP-25 - queriam repudiar a possibilidade de algum partido ou órgão político criticar frontalmente uma decisão judicial.
Ralo

O juiz

O presidente da Relação de Lisboa concedeu uma pequena entrevista ao DN sobre o processo da Casa Pia em que interpela Manuel Alegre, afirma que o trabalho dos advogados é obstruir a actuação do tribunal, sugere que o Tribunal Constitucional é esquizofrénico e explica que os juízes são intelectuais. Numa nota à parte, procura sentenciar o incidente com a SIC com uma exclamação: «Tenho direito à minha imagem. Não sou obrigado a falar!» Compreendo. Cada vez que fala lá se vai a imagem.
Ralo

quinta-feira, outubro 09, 2003

TV Guia

Veja a emissão em Português da Fox News, todos os dias das 21 às 22, na Sic Notícias, com Mário Crespo.
Ralo

Injustiça

Registo com alguma mágoa que a histeria mediática à volta dos ministros demissionários e de Paulo Pedroso ofuscou acontecimentos muito mais importantes: o livro do Pipi saíu terça-feira. A.

Muito pantanoso

Se isto for verdade, afinal não são só os meninos que mentem, é sobretudo quem anda a jurar que eles não mentem. Só pergunto uma coisa que deve atormentar muita gente não beata neste momento: como é possível que duas instâncias judiciais tenham interpretações tão opostas sobre uma matéria tão grave? Errar é humano, isto não. E não há piada que valha para dissipar o terror de que isto - o que esta notícia configura - nos aconteça um dia, sem o amparo de advogados brilhantes, a tropelia de um partido inteiro ou a vigilância de alguma comunicação social.
Ralo

quarta-feira, outubro 08, 2003

Atenção

Que a piadola anterior não vos iluda. Não podia ser maior a satisfação que a libertação do Paulo Pedroso me plantou na alma. É que agora quase não se vêem crianças nas ruas de Lisboa.
Ralo

Breve XII

Paulo Pedroso foi libertado. Consta que a festa vai ser de arrebenta.
Ralo

Currículo

A nova ministra dos negócios estrangeiros, no mínimo, já tem assunto de conversa com os homólogos inglês, alemão e holandês:

"Estão a ver os campos de golfe no Algarve onde vocês jogam? Fui eu que os autorizei quando era ministra do ambiente".
Ralo

terça-feira, outubro 07, 2003

Actualização

Sem querer dar ideias para palavras de ordem, será desta que Martins da Cruz enfia o capuz?
Ralo

domingo, outubro 05, 2003

Elementar

Num rombo inesperado na percepção publicada, e infelizmente cada vez mais pública, de que o PS tem um líder fraco, Pacheco Pereira declarou, sem engolir em seco, que Ferro Rodrigues esteve bem ao falar de Martins da Cruz. E se assim é, sendo Fefé insuspeito, fica o post atabalhoado do Abrupto esclarecido e a favor da racionalidade, apesar de ainda lhe terem sucedido uns resmungos sobre detectores de mentira.

Seja como for, hoje não há nada que esmoreça o sorriso, nem malabarismos, nem politiquices, nem sequer resultados desportivos (a derrota do Sporting, tanto quanto pude ver numa televisão alentejana muito mal servida de sinal, foi limpa, assinale-se). Hoje a minha felicidade é inexpugnável. Sou o proprietário rejubilante da propalada colecção em DVD da série Sherlock Holmes que repetidamente, mas em tempos idos, assombrou a RTP. Não há, desde os meus alvores intelectuais, vulto nenhum no meu imaginário a quem mais inveje a identidade. Mas só o Sherlock da Granada, o melhor exemplo de televisão ou cinema que conseguiu sublimar a obra original. Ou seja, sempre quis ser o Sherlock Holmes by Jeremy Brett.
Ralo

Assim o Sporting não chega

E ainda dizem que a direita tem a mania securitária. Pelos vistos há quem defenda qualquer coisa como a suspensão da acção policial e da investigação criminal até uma toxicodependente dar à luz dois ou três precogs. Entretanto mude-se o lema das forças de segurança para "Ou todos ou nenhum, porra!".
Ralo

Indignação selectiva

E ainda dizem que aos 60 anos já ninguém tem flexibilidade. Reparem no Pacheco Pereira a meter os pés pelas mãos quando é finalmente instado, pela realidade mediática que tanto lhe repugna, a comentar a cunha que Cruz meteu inequivocamente em Lynce. Não há nele equanimidade que resista à visão da esquerda açulada. E como o back bencher mais ilustre do PSD anda boa parte da direita, atarantada, a tergiversar nervosamente sobre uma evidência. Uns falam de boa-fé, como se o ilícito que os ministros cometeram tivesse um fim nobre ou o bem comum em vista. Outros invocam a sociedade portuguesa, generalizadamente infecta de corrupção e compadrio, para tentarem demonstrar o absurdo de condenar mais uma trafulhice. E o mais triste é que se os ministros fossem do PS, estariam todos na vanguarda da recriminação a falar de jobs for the boys, de aparelho, de cultura democrática. Eu que o diga, já que me comportava exactamente assim, inexorável, quando os ministros do guterrismo, a acabar no próprio Guterres, pecavam. E reconheça-se que eles próprios se toleravam muito menos que os do PSD de antes e do PSD/PP de agora.
Ralo

sexta-feira, outubro 03, 2003

O Bisturi

Quem diria que a política embrutece mais que a medicina. E mesmo assim, até ao Miguel Torga, no fim, emocionavam mais os "alaridos de cor" dos campos transmontanos do que as misérias humanas (não digam a ninguém, mas a mim também). Seja como for, dou o equivalente ao resultado líquido do crescimento económico português nos últimos dois anos a quem descobrir a filiação ideológica deste blogue. Entretanto, se adoecer, já sei onde deixar um comentário.

P.S. O processo de adição aos links encontra-se em lista de espera.

Ralo

Abaixo de cão

Enquanto por esse edénico lá fora os animais conquistam direitos e personalidade jurídica, em Portugal o que progride é a sua coisificação, o que vinga é o antropocentrismo marialva. Agora vem o governo decretar que os cães e gatos sejam identificados electronicamente. Óptimo, pensar-se-ia. Acabam-se os abandonos ou, pelo menos, punem-se quem os perpetra. Mentira! Vai acontecer exactamente o contrário. A maioria dos donos, para não se maçarem com a burocracia nem incorrerem na multa, vão escorraçar os animais nas vésperas da entrada em vigor do decreto-lei. E depois é ver as diligentes câmaras municipais, a começar pela Lisboa de Santana Lopes, que já leva litros de sangue canino e felino nas mãos, a despachá-los higienicamente, para inglês não ver. E o raio da lei nem sequer comete a justiça elementar, ao tratar de cães perigosos, de criminalizar a merda das lutas.

Enfim. De uma maioria e de um governo obrigados a gostar exclusivamente de homens brancos, dolicocéfalos e liberais por ditame ideológico de um dos partidos que os compõem tudo se espera. A quem realmente é de assacar a falta de legislação portuguesa que proteja os animais e o ambiente é ao PS. Durante seis anos foram a esquerda no poder e nada fizeram. Aliás, fizeram pior que nada. O governo sancionou a desobediência da GNR de Moura, o parlamento descriminalizou os touros de morte e o presidente da república deu a estocada final, apelando à excepção de Barrancos. Quando o Daniel Oliveira mudar de partido, já sei em quem votar.
Ralo

quinta-feira, outubro 02, 2003

Afinal

"Back in Washington, administration officials watched the chaotic images on TV and blamed General Garner. White House officials muttered about “Occupation Lite” and decided that Garner, who was seen strolling about in shirt sleeves and genially chatting with the locals, was a little too chummy with the vanquished. A stronger, tougher proconsul was called for, one who could assert control by purging the government of Saddam’s henchmen. The administration’s man for the job was Paul Bremer, a former aide to Henry Kissinger and a counter terror expert admired by Rumsfeld and other Bushies".

Para este e outros esclarecimentos (os other Bushies que não se excitem, são todos a favor dos críticos da guerra) consultar a anti-americana Newsweek:



A cunha

É repugnante, é indignante, é uma coligação sórdida de abuso de poder, compadrio, nepotismo e amiguismo. Mas também é um excerto de um golpe palaciano, é O Independente por interposta imprensa, são mais dois cavaquistas que se abatem. Deus nos ajude a todos.
Ralo, ou, como dirá o A., O Homem da Conspiração

Já agora

Não quis falar do tempo, porque seria entrar no domínio do absurdo. Mas como é por essas bandas que já muitos andam a discutir, deve ser necessário explicar que o argumento de Bush & Blair de que é preciso paciência e tempo é, provavelmente, o mais chocante. Porque paciência foi aquilo que eles próprios não tiveram antes da guerra, e tempo foi o que os inspectores da ONU pediram e eles recusaram. Ou seja, a partir de agora, venham ou não a encontrar um frasco de pesticida, os governos britânico e americano não têm qualquer possibilidade de razão ou remissão, porque é ponto assente que a guerra era desnecessária. E levar a cabo uma guerra desnecessária, por muito repisados que sejam os benefícios colaterais, é sempre um crime de guerra em si mesmo.
Ralo

Longo

"Miguel Portas, no Diário de Notícias de 20 de Março de 2003

"...o primeiro acto do ocupante será plantar no terreno todas as provas que os inspectores não encontraram. Preparem-se para o festival da grande intoxicação sobre as valas de cadáveres."

Há sempre quem tente adivinhar o comportamento dos outros com base nas atitudes que seriam as suas em idêntica situação.
"


Aqui está a primeira baforada de fumo para cima do relatório da CIA que aí vem. Nestes tempos regressados de hegemonia portista, é mais o que nos aproxima, apesar de tudo, do que o que nos separa. Mas esta não não pode passar. Não se trata de defender a honra do Miguel Portas (inelutavelmente manchada por afinidade), mas de chamar a atenção para o que já é uma evidência, bem maior, como se vê, do que as armas de destruição massiva antes da guerra:

Sabe por que há tantas mulheres em Portugal a ser violadas? Porque não colabaram. Ora a CIA também se cansou de colaborar, depois de ter sido violada, ou alienada, se preferir a versão não metafórica. Se bem me lembro, Rumsfeld e a sua pandilha ainda berraram e estrebucharam porque queriam os seus soldadinhos a fazer o trabalho de inspecção em exclusividade. Se tivesse sido este o caso, também não tenho dúvidas que, por esta altura, os Estados Unidos estavam a anunciar que o Iraque possuía milhões de litros disto e daquilo, comicamente made in California. Felizmente, o insucesso do pós-guerra provocou em Bush um pequeno ataque de bom senso e levou-o a transferir algum poder do Pentágono para o Departamento de Estado e para a CIA. O resultado foi o um governador (!) vagamente moderado, que - vá lá - não esconde uma constrição genuína quando as coisas correm mal (i.e. todos os dias), e uma investigação ao busílis da guerra nas mãos da secreta. Não tivessem expiado as petas originais no respectivo director, não os tivessem pressionado para torcer as conclusões, não tivessem criado um gabinete de "informação" paralelo numa salinha aconchegada do Pentágono, não tivessem, finalmente, revelado a identidadade de uma das suas agentes por mero despeito e talvez, quem sabe, a CIA tivesse alinhado no grande plano. Assim, com imaginável gozo, limita-se a ser sincera. Ou seja, NÃO HÁ NEM HAVIA ARMAS DE DESTRUIÇÃO MASSIVA NO IRAQUE. Invocar agora previsões falhadas (felizmente) de quem sempre previu isto mesmo é tentar disfarçar uma trovoada com um arroto.
Ralo

Figo e o Porto

Já se sabia que o Porto (o clube de futebol) era uma espécie de versão portuguesa e provinciana do Barcelona, na sua raiva doentia à capital. A semelhança foi reforçada esta noite com o lamentável tratamento dispensado a Figo, assobiado com ódio pela turba das Antas. Ver o único jogador português de classe e renome mundiais tratado daquela maneira em Portugal diz muito do fanatismo daquela gente. Torna também justíssima a humilhação que lhes foi infligida pelo Real, sobretudo pelo belo jogo do próprio Figo. É verdade que este já não é o que era. Nunca mais foi o mesmo desde que um tal Deco o lesionou há ano e meio nas Antas (quem o assobiou hoje de certeza que vê esse episódio como um dos momentos de glória do FCP). Mas continua a ser um exemplo de excelência que faz dele uma anomalia no futebol nacional, que claramente não o merece. É um grande jogador que se enganou no país onde nasceu, como Ronaldo e Zidane não se enganaram. É o melhor jogador português, mas parece tudo menos português. O Porto, pelo contrário, é o melhor clube português, mas, na inultrapassável mesquinhez da sua mentalidade, é português até aos ossos, um típico produto da mesquinhez nacional dominante. Figo sózinho vale mais do que aquele clube inteiro e isso, felizmente, ficou provado esta noite.
A.

quarta-feira, outubro 01, 2003

Breve XI

E claro, Brel, que insiste em tocar o Amsterdam na minha medula.
Ralo

Breve X

A TVI tem um blogue.
Ralo, mas o achado é do A.

Breve IX

À atenção do INE: não tarda este blogue passa a chamar-se DESEJO TRABALHAR.
Ralo