O regresso
Ó, Afonso Costa! Fosses tu um vampiro e bastava resgatar-te da cripta; derrotar os fuzileiros persignantes que o ministro da defesa te pusesse à porta; arrear os crucifixos e os cachos de alho das paredes; derreter o chumbo do caixão; ressuscitar-te com uma gota do meu sangue, pedir-te para não beberes o resto, que sou de esquerda; certificar-me de que não te acusavam de pedofilia; e finalmente reconduzir-te no poder! Em troca e como eu não gosto de ter trabalho, nomear-me-ias ministro de Estado e das Colónias e permitias-me assistir enquanto deixavas a direita católica exangue e rectificavas 50 anos de ditadura mais 30 de ditamole a golpes de Educação republicana. Depois, claro, antes que te passasse pela cabeça mandar um CEF para o Iraque, espetava-te uma estaca no coração e esperava, como há muito é devido, que uma sociedade com um nível de literacia europeu se desemerdasse sozinha.

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