Marcelo-Pacheco
Escrevo o post que se segue para inverter duas tendências recentes deste blog: a de dizer mal de Pacheco Pereira e a de dizer bem de Marcelo Rebelo de Sousa (Ralo, Ralo, Ralo...). O assunto são as famosas longas listas de livros que o Professor jura ser capaz de ler porque, ao que parece, o seu organismo não gosta de dormir. Eu acho que a melhor maneira de saber se ele diz a verdade é ouvir com atenção as suas palestras dominicais. Que impressão dão os comentários de Marcelo na TVI da pessoa que os emite? Que é um homem excepcionalmente inteligente e fluente, sem dúvida, com um conhecimento e uma compreensão ímpares da vida política nacional. Que é um jurista brilhante que sabe tudo o que há a saber sobre leis. E que é alguém que sabe pouco de outras coisas. O contraste com Pacheco Pereira – a quem as listas do Professor tanto irritam – é, neste aspecto, elucidativo. Pacheco tem uma cultura histórica, filosófica e literária que é patente e que, o que é mais importante, determina claramente a sua visão das coisas. As suas análises políticas não seriam o que são sem toda essa bagagem intelectual. Por outras palavras, sem ler os livros que leu, não diria as coisas que diz. Marcelo não. Para dizer o essencial do que diz não precisa de ler livros (a não ser quando fala de Direito). Precisa apenas de conhecer a fundo a política nacional, como conhece, e de estar bem informado sobre tudo o que se passa nela, o que está sempre. A sua visão não é a do intelectual, mas a do político profissional e do jurista. É por isso que, sempre que sai do campo da política imediata e se aventura por campos mais “reflexivos”, se transforma com tanta facilidade numa fábrica de banalidades. E o facto é que nunca é mais banal do que quando fala de livros. Leia-os ou não.
A.

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