Damas
Vítor Damas morreu, com 55 anos e o inevitável cancro. Lembro-me de vê-lo jogar nos anos 80. Era um veterano competente, mas já não tinha idade para maravilhar ninguém. Pessoas mais velhas cuja opinião respeito asseguram-me que quando novo, no Sporting, era um fenómeno: um caso de talento puro, comparável, na posição contrária, a Eusébio, com quem teve grandes duelos. Acredito e lamento não ter nascido a tempo de o ver então. Até porque vi os seus sucessores, de Bento para a frente, e sei que nenhum deles foi, de facto, um grande guarda-redes. Havia mais uma coisa que me fazia simpatizar com ele: o facto de ter conseguido ter uma carreira bem sucedida lá fora (seis anos em Espanha, onde ganhou um ano o prémio de melhor jogador estrangeiro; ouvi-o uma vez dizer em entrevista que tinham sido esses os anos em que fora melhor e não o tempo no Sporting, pelo qual toda a gente o lembrava cá). Isto faz dele uma excepção para a sua época. As pessoas esquecem-se, mas, antes de Futre e dos seus sucessores nos anos 90, os jogadores portugueses que tentavam a sorte no estrangeiro costumavam sair-se mal, mesmo os melhores. Nos anos 70 e 80, Humberto Coelho, Jordão, Oliveira, Gomes e Chalana tiveram todos passagens curtas e discretas por clubes espanhóis e franceses, apesar de serem do melhor que cá havia. Damas vingou onde eles falharam. Só por essa capacidade precoce de internacionalização merece ser lembrado.
A.

0 Comments:
Publicar um comentário
<< Home