T-Zero

Ressurreição

segunda-feira, setembro 15, 2003

A:

Sobre o Marcelo Rebelo de Sousa, concordo, e por isso já não nem lhe anteponho o prof. Não é qualquer qualidade intrínseca, nem sequer a ligeira piada que me atraem aos seus comentários. É simplesmente a possibilidade permanente de ouvir dizer mal do Paulo Portas e do Santana Lopes, que neste blogue gozam de um desprezo unânime. Ora, o Pacheco Pereira podia beneficiar do mesmo, acrescendo à sua rara formação intelectual/cultural, sobretudo (cof, cof) para alguém de direita. Mas uma tendência relativamente recente para aderir acriticamente a todas as ideias que suscitem a oposição da esquerda (e não só da "esquerda neo-nazi") sufoca esse seu ódio menor à direita pirosa e à extrema direita "portiana". Até porque começa a ser um ódio insustentável, abandonado a uma dieta de razões pessoais (ainda que correctíssimas) pela cada vez maior coincidência de opiniões e ideais entre o Pacheco Pereira e essa direita. A sua posição sobre o Iraque não é mais do que um resumo elegante das ideias dos intelectuais neo-conservadores; o seu anti-europeísmo está a tornar-se emotivo, como demonstra um dos últimos posts no Abrupto; e o seu apoio ao governo parece apenas um reflexo do despeito raivoso pela oposição. O Pacheco Pereira não tem futuro político (o presente acaba nas eleições europeias), menos por ser um irritante para o próprio PSD, para mais agora que depende do Paulo Portas, do que por estar a cair num radicalismo que não tem claramente lugar na Europa de hoje e até - rezemos - nos Estados Unidos de amanhã. O Pacheco Pereira falha, porque deixa que a sua bagagem cultural e a sua estaleca intelectual sejam contaminadas pelas suas embirrações domésticas, tornando-se ridiculamente susceptível a qualquer acinte. E é pena. Porque em probidade, sinceridade e inteligência bruta, o Pacheco Pereira ainda é uma pérola atirada à porcaria da política.
Ralo