T-Zero

Ressurreição

domingo, setembro 21, 2003

50 personalidades mais importantes da cultura portuguesa

(segundo a redacção do "Actual")

Não sabia que Vasco Graça Moura era nortenho e já ia jurar que não lhe faltava nenhum defeito (nortenho, bem entendido, é o Pinto da Costa, o Nuno Cardoso, o Filipe Meneses, o Narciso Miranda, o Valentim Loureiro, é a mania de declamar Eugénio de Andrade, é achar que uma cidade é tudo, é querer ver Lisboa a arder. É, resumindo, o pior do Porto. Não é o melhor nem o banal. Não é o Minho nem Trás-os-Montes).

Bem mais inquietante, porém, é a eleição de José Mattoso, sob a sugestão de ser o maior historiador português vivo. Trata-se de um grosseiro erro de casting e de uma injustiça visceral contra o seu Némesis, Oliveira Marques. O primeiro é muito competente, muito lúcido, mas tem apenas um mérito monográfico; nem sequer se pode dizer que domina a Idade Média, já que versa, quase exclusivamente, sobre a nobreza e as questões senhoriais, incorrendo em alguns equívocos embaraçosos quando daí diverge. Já o segundo é um génio eclético, dono de uma capacidade de síntese e de expressão únicas, e totalmente desassombrado na análise. É, de resto, o responsável pelo novo modelo bibliográfico de histórias de Portugal, a que o José Mattoso aderiu com um certo descaramento comercial. As duas grandes obras que ambos coordenaram são comparáveis por causa da disparidade de colaboradores, a produção e a qualidade de cada um vivem em universos diferentes. É preciso que se saiba.

Then again, o Saramago lá está na lista, a inquiná-la (o que não deve prejudicar o previsível pedido de audiência do Santana Lopes ao Presidente da República para protestar a sua omissão).
Ralo