T-Zero

Ressurreição

quinta-feira, setembro 11, 2003

11 de Setembro

Matava-se Antero de Quental, num banco em S. Miguel, com dois tiros na cabeça. Um para a mania, outro para a depressão. Chegou finalmente a altura, agora que nada mais há no esquife que possa dar voltas, de insultar este poeta demente e inarticulado, dono indigente de um ou dois rasgos, que correspondem a outras tantas alucinações felizes, e que tornam, em conluio com a preguiça literária de muitos, toda a obra fashionable. Não foi um visionário, mas um mero escrivão elegante do seu cérebro errático. O seu grande feito foi acaudelar a geração de 70 e encorajar o verdadeiro monstro cultural do seu tempo a exarar o seu talento. Desculpem lá, mas Antero de Quental é uma lista de compras entalada num romance de Eça de Queirós.