Viagem
De volta do Alentejo ansiolítico, infernizado, também ele, pelos ventos de Espanha. Fui ver um incêndio que ardia, aliás, amorroava pelo restolho, enquanto dois tractores com uma pressa prescindível lavravam os campos à frente para o atalhar. Mas antes fosse só o fogo, provavelmente ateado por um relâmpago. Também por obra do vento, a aldeia enchia-se de um miasma de azeite, cujas borras aquela gente muito pouco ecológica - já desde o neolítico - despeja há anos para o barranco, já de si um pouco de água baça de detergente que rasteja pelo meio do povo até desaguar numa ETAR que nunca chegou a funcionar e que, por sua vez, verte para uma barragem que finalmente abastece outras aldeias.
Não é só em Castelo Branco que há incêndios, não é só em Leiria que há porcos.

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