T-Zero

Ressurreição

segunda-feira, agosto 25, 2003

Real Porto

Intermitentemente, entre as 21 e as 23, andei a ver se desejava a derrota do Real Madrid. Não é pelo Queirós, por quem tenho a simpatia e a antipatia que um homossexual tem por uma mulher; é pela arrogância inerente a uma equipa que açambarca os jogadores com classe e ganha ligas dos campeões ao pé coxinho (o Figo, pelo menos), ao ponto de bocejar nos jogos da liga espanhola. E é sobretudo, a partir de agora, por causa do Beckham. O rapaz não tem culpa: desde a variedade dos penteados, que duram, cirurgicamente um trimestre, até à anorética esposa, passando pelo ar semi-marginal e a voz à Fernando Couto, é tudo merchandising. O que repugna é a opção comercial do clube, que lhe paga um escândalo e hostiliza o resto do plantel só para vender camisolas na Ásia. Ora isto mereceria, sem dúvida nenhuma, todo o ódio fanático que se possa espremer de todos os adeptos de futebol. Mas ainda assim só consigo convocar uma aversão superficial, racional - falta algo. Foi então, a seguir ao jogo, ao ouvir um treinador português a justificar um empate dizendo que os tratadores da relva tinham estado de férias na semana passada, "ou então foi de propóstio", que percebi o quê. Falta o Mourinho.