A minha vez
Para não deixar o Ralo completamente sózinho em combate, vou dizer o que penso sobre as polémicas que têm agitado este blogue, normalmente tão pacato. Eu não conheço tão bem como ele o conflicto israelo-palestiniano e não tenho por isso opiniões tão formadas. Mas sei o suficiente para achar que, como problema histórico, não tem, infelizmente, nada de original. Não é novidade ver povos que o acaso da história colocou a viver lado a lado guerrearem-se pela terra que ambos querem. Como não é novidade ver depois a desconfiança e os ódios mútuos gerados pela guerra deitarem abaixo as tentativas de negociar a paz. Nada disto faz de nenhum dos povos em confronto vilões. Estão apenas a seguir um padrão velho como a própria história.
Entre aqueles que escreveram ao Ralo, há gente incapaz de perceber a história assim. Por razões de estrutura mental, de pura beatice de espírito, só conseguem ver as coisas a preto e branco. Através da demonização do lado palestiniano, constroem uma versão edificante da realidade, único modo que têm de a entender. Esta é a pior maneira de olhar para o problema israelo-palestiniano, onde é evidente que as responsabilidades partilhadas abundam e cuja moral é por isso muito mais cinzenta que a preto e branco. Os palestinianos têm culpas (e sangue nas mãos), mas não são Bin Laden, como parece que muita gente pensa. E os israelitas, como devia ser fácil de ver, são tudo menos santos. A omnipotência militar nunca fez de ninguém santo.

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