EUA e Canadá
É sintomático das diferenças filosóficas entre os dois países o que os responsáveis de cada um proferiram sobre o apagão. Enquanto Bush sugeriu o reforço da rede energética, o P.M. de Ontário recriminou os respectivos clientes por consumos frívolos. O que o primeiro diga já não pasma, até porque, ao que consta, é a divina inspiração que lho dita, e depois da primeira obra, que ainda vende milhares, não voltou a ditar nada de jeito. O problema é que a dimensão imperial dos Estados Unidos, se é discutível culturalmente, politicamente e até economicamente, é categórica no frágil domínio do ambiente. Os americanos consomem 35% dos recursos mundiais e são responsáveis por outro tanto ou mais da poluição global. Quanto pensamos nisto, a preferência do sr. Bush por dogmas religiosos em prejuízo das certezas científicas que agoiram a ruína do planeta passa do burlesco, do infeliz ao dramático. Somos todos fumadores passivos desse país anafado e arrogante e não podemos sair do restaurante, nem sequer mudar de mesa. Resta-nos recusar imitá-lo e enfiar humildemente a carapuça do P.M. de Ontário, ainda que entre nós os apagões sejam culpa das cegonhas. Resta-nos, para além de não calar a indignação e financiar a guerrilha do Iraque, inflectir alguns hábitos e acabar com outros. É o que tenho feito nas últimas semanas, pelo que está ao alcance de qualquer imbecil sem imaginação. Exemplos:
Reciclar, comprar lâmpadas económicas, usar chuveiros de baixo caudal, instalar filtros de ar nas torneiras, estancar a água equanto nos ensaboamos, lavamos os dentes ou fazemos a barba (sugestão cordial da Fernanda Ribeiro), isolar a casa em vez de gastar em sistemas de aquecimento e refrigeração, usar pilhas recarregáveis, evitar tudo o que seja descartável, ou, finalmente, não comprar produtos de marcas que testam em animais, cuja lista se encontra aqui.
Sobram muitas sugestões, sendo a maioria para mulheres, já que tratam de coisas como detergentes e produtos para o fogão. Outras mais omiti por manifesta falta de lata, pois ainda não me obriguei a segui-las.
Ass: Captain Planet, igualmente subscritor da carta aberta para a revolta nos quartéis enquanto lá estiver este ministro da defesa.

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