Caro Jaquinzinhos II
Tanto se engana, que recentemente, para ter um exemplo, o Hamas e a Jihad observaram uma trégua unilateral mais ou menos desde o fim da guerra do Iraque durante a qual Israel não deixou de assassinar-lhes dirigentes, erguer postos de controlo e colonatos, destruir casas árabes dentro e fora dos territórios ocupados e, claro, matar um ou outro david (aqueles miúdos que atiram pedras contra tanques). Mais: cedendo aos caprichos de Sharon e, por osmose, de Bush, Yasser Arafat, o líder legitimamente eleito da Autoridade Palestiniana, aceitou outorgar boa parte do seu poder a um primeiro-ministro não eleito, acolhido alegremente pelo eixo israelo-americano não por ser moderado, mas por ser inerentemente fraco. Eu ofereci-lhe uma visão equilibrada, omitindo, generosamente, a questão de fundo, que atribui 99% da razão aos palestinianos - a ocupação, que nem sequer devia ser objecto de uma negociação, mas sim - como determinam as resoluções da ONU - de uma retirada imediata e incondicional. Vc. prefere insistir numa tese que só teria validade se eliminássemos estruturalmente, "à estaline", a maior parte dos factos, e que, aplicada a outras realidades, levaria a silogismos que não lhe serão queridos, como: "O Iraque não invadiu nenhum país desde 1991, nem ocupou ilegitimamente qualquer território desde então, limitando-se, alegadamente, a violar, como Israel, resoluções das Nações Unidas, logo não podia ser atacado, nem sequer condenado"; ou: "Taiwan é parte reconhecida internacionalmente da China, ao contrário dos territórios ocupados da Palestina, logo, a China pode invadir e ocupar Taiwan". E, por favor, não me venha com o facto de Israel ser uma democracia, porque o Hitler também foi eleito, sendo só o que faltava que o mérito do sistema político autorizasse - qual prémio - um país a expulsar, massacrar, constranger e humilhar um povo e ainda por cima ocupar-lhe o que lhe resta do território.

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