O governante para esta estação quer-se não muito inteligente, de fato escuro impecável e com um sorriso equânime. Seria de pensar que estes dois últimos servissem para disfarçar a modéstia mental, mas é ela o elemento essencial. O governante sofrível delega a compreensão da realidade nos conselheiros inteligentes. Se estes lhe dizem que as coisas vão mal, mas a culpa é dos outros, e que vão melhorar e o mérito será dele, o governante lento acredita piamente, enche-se de confiança e transmite-a ao povo, ainda que seja tudo mentira. Se lhe asseveram, por exemplo, que certo país é uma ameaça, o governante lerdo enche-se de patriotismo genuíno e inspira o povo, ainda que seja tudo mentira. O governante estulto é o veículo perfeito da propaganda, o actor inconsciente das tramas dos que o rodeiam, a voz ignorante dos discursos que lhe redigem ou das notas que lhe passam por baixo da mesa. Ainda que tenha, aqui e ali, alguns assomos do que realmente se passa no país que governa, nunca é o suficiente para lhe ameaçar o sorriso prescrito pelo gestor de imagem. O governante burro não possui auto-crítica, não tem angústias, não hesita e não se demite, a não ser quando os conselheiros finalmente dizem que chegou a altura, que as coisas realmente estão más. E aqui é que reside o problema. Porque, em certos países, é a altura do ministro inteligente lhe tomar o lugar.

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