A insustentável leveza do Presidente da República
Mais uma declaração, tudo na mesma. Que me lembre, desde há dois anos, o Dr. Jorge Sampaio só não foi inconsequente numa ocasião e com o pior resultado possível - sobre Barrancos. De resto, vai produzindo discursos vãos, umas vezes com frete, outras com irritação, mas sempre com a eventual mensagem esmagada sob o complexo da estabilidade e a obsessão do apaziguamento. O problema é que nem sempre foi assim. Ninguém deixou de notar ou terá a lata de negar o gozo pintado no rosto quando respondeu ao pedido de demissão do anterior primeiro-ministro. Pior ainda, a mesquinhez quando escovou um ou dois agentes da GNR por, pasme-se, se terem enganado no caminho. Tanto num caso como no outro, descontada a diferença partidária, talvez tenha querido emular o Dr. Mário Soares. Se assim foi, talvez também aguarde a sua manifestação na ponte, o seu ensejo para desabar no governo. Mas e se o Dr. Mário Soares tivesse apanhado esta guerra do Iraque? Vou arriscar uma profecia. No fim do mandato e mais ainda na reforma, o Dr. Sampaio vai sofrer um ataque de contrição e vai passar deste extremo-centro para a extrema-esquerda, de envergonhar até o próprio Dr. Soares. É que nesta cadência, passará de apelo à serenidade a apelo à serenidade, à espera do grande escândalo ou do grande desmando do PSD/PP, até não ter mais tempo e até à compreensão - dolorosa - de que todas as oportunidades, algumas delas irrecusáveis, ficaram para trás.
N. B. - Não se trata do Paulo Pedroso, nem sequer do PS. Haja culpa ou conspiração ou simplesmente erro, caberá sempre à justiça apurar. Trata-se da ideia de que esta é trôpega, no mínimo, corporativa, de certeza, decadente, provavelmente, incapaz, esperamos que não, que se prostitui aos partidos, deus nos livre! Mas deus não existe ou não tem tutela sobre Portugal, pelo que sobra, entre uma justiça sem auto-crítica e um governo que está regalado com o que se passa, o Presidente da República.

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